segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Fernando Santos e as vítimas da clubite aguda

Foto: pt.uefa.com
Fernando Santos, atual selecionador de futebol da Grécia, admitiu hoje que, quando se transferiu do Estrela da Amadora para o FC Porto, em 1998/99, houve "conhecidos fortes de infância" que deixaram de lhe falar.
A revelação, feita no programa da SIC Notícias 'O Dia Seguinte', mostra a forma doentia como muitas pessoas vivem o futebol em Portugal: a clubite supera tudo, até as amizades de décadas - em vez de engolirem em seco e torcerem por um clube adversário porque está lá um 'conhecido forte de infância', muitos optam pelo tortuoso caminho do emblema do coração e cortam relações com a razão.
Fernando Santos, que depois de ser o 'Engenheiro do Penta' no FC Porto ainda treinou os outros dois 'grandes' portugueses, Sporting e Benfica, continua sem compreender que as pessoas não percebam o que representa ser profissional de futebol e recordou que, apesar de ter começado a ver futebol "com 50 dias" de idade no Estádio da Luz, quando esteve ao serviço dos 'dragões' empenhou-se a "200 por cento".
E, perante a possibilidade de a Grécia defrontar Portugal no Mundial2014, no Brasil, não teve dúvidas em manter um discurso profissional que lhe pode custar mais amizades: espera ganhar, é claro! Só num cenário de derrota cede ao coração: preferia que ela acontecesse com Portugal do que frente a outra seleção - "Ficaria chateado na mesma, mas menos triste".
Um comportamento exatamente ao contrário daquele que teve o médio Josué, que no início da época, quando regressou ao FC Porto, disse ter a certeza de que "nunca iria jogar no Benfica", porque nenhum adepto dos 'dragões' gosta do clube lisboeta. Está no seu direito, mas comportou-se como um adepto, não como profissional, e naquele momento acabou de fechar uma porta.
Como muito provavelmente se verá dentro de dois ou três anos, não vale a pena argumentar com o amor à camisola, porque esse, certamente, não o impedirá de deixar o clube do coração quando lhe chegar às mãos uma qualquer proposta milionária do estrangeiro.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A falta de credibilidade e a longa lista de dopados

Foto: kicker.de
Lance Armstrong acusa Hein Verbruggen de encobrir o seu caso de doping na Volta à França de 1999. O ex-ciclista texano tem um problema de falta de credibilidade, o holandês que presidiu à União Ciclista Internacional (UCI) entre 1991 e 2005 tem outro: a longa lista de ciclistas de topo dopados nos últimos 25 anos.
Irradiado em 2012 e despojado dos sete títulos no Tour, por uso e distribuição de dopagem bioquímica, Armstrong iniciou o contra-ataque e escolheu o alvo mais importante de todos. Disse ao jornal inglês Daily Mail que Verbruggen considerou o seu teste positivo "um golpe mortal para o ciclismo" e aconselhou-o a arranjar uma receita médica que justificasse a utilização de cortisona.
Verbruggen, que agora pode ter prestar declarações perante a comissão independente de inquérito da UCI, perguntou se "alguém acredita em Lance Armstrong", mas depois admitiu à agência AP a hipótese de lhe ter dito que "a UCI precisa de uma receita" e nunca anunciou que ia processar o ex-ciclista.
Armstrong passou do céu ao inferno quando, após uma investigação do FBIa Agência Antidoping dos Estados Unidos o acusou formalmente de consumo de substâncias ilícitas, sustentada em análises sanguíneas de 2009 e 2010 e no testemunho de outros ciclistas, entre eles o seu ex-amigo íntimo Tyler Hamilton.
Foi irradiado e viu serem-lhe retirados todos os títulos conquistados desde agosto de 1998 por uso e distribuição de dopagem bioquímica. Não recorreu da decisão e, já este ano, acabou por confessar tudo numa entrevista televisiva, assumindo que se dopou em todos os sete triunfos no Tour, entre 1999 e 2005.
O problema de Armstrong é ser reconhecidamente um batoteiro. O de Verbruggen é outro e tem a ver com os números do doping no ciclismo e com o facto de muitos casos só terem sido conhecidos após investigações policiais ou porque os batoteiros os confessaram, normalmente no fim das carreiras.
Se os vencedores dos últimos três anos - Cadel Evans, Bradley Wiggins e Chris Froome - não estiveram envolvidos em casos de doping, Carlos Sastre foi, em 2008, o único dos sete ciclistas que chegaram a Paris em primeiro nas edições do Tour entre 1996 e 2010 que permanece com o nome limpo.
As edições entre 1999 e 2005 ficaram 'vagas', pois não foi nomeado um substituto de Lance Armstrong, mas em 2006 e 2010 Óscar Pereiro e Andy Schleck foram declarados vencedores 'a posteriori', devido aos casos de doping de Floyd Landis e Alberto Contador. Bjarn Riis (1996), Jan Ullrich (1997) e Marco Pantani (1998) continuam na lista de vencedores, mas depois tiveram análises positivas e/ou confessaram o uso de doping.
Nos últimos 25 anos, muitos outros nomes importantes do ciclismo foram punidos por doping ou mais tarde confessaram a prática. A lista é longa, mas não exaustiva: Sean Kelly, Jesper Skibby, Claudio Chiapucci, Stephen Roche, Udo Bölts, Levi Leipheimer, Erik Zabel, Dario Frigo, Frank Vandenbroucke, Igor González de Galdeano, Mario Cipollini, Laurent Jalabert, Michael Rasmussen, Rolf Sorensen, Johan Musesuw, Jo Planckaert, Tyler Hamilton, Roberto Heras, Danilo Hondo, Ivan Basso, Aitor González, Alexander Vinokourov, Alessandro Petacchi, Alejandro Valverde e Fränk Schleck.
Investigações policiais em grande escala realizadas em França, Itália e Espanha, culminaram com a expulsão da equipa Festina do Tour de 1998, de vários ciclistas do Giro de 2001 e de diversos favoritos ao Tour de 2006, neste ano devido à Operação Puerto, na qual o médico Eufemiano Fuentes foi acusado de administrar doping a 200 desportistas profissionais.
Joaquim Agostinho, que sempre garantiu estar inocente, mas teve dois controlos positivos na Volta à França nos anos 70, dizia que "Não se sobem montanhas a comer bifes".
Provavelmente, os dirigentes da UCI nunca leram esta frase. Caso contrário tinham, pelo menos, mais cuidado na elaboração do percurso das grandes voltas, evitando dias e dias consecutivos de Alpes e Pirenéus, tão convidativos à batota...

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Uma falta de tacto que vai custar milhões

Foto: dn.pt
A guerra das colas entre a Pepsi e a Coca-Cola já teve vários episódios picantes, mas ontem a marca sediada em Purchase, Nova Iorque, ultrapassou todos os limites do razoável, antes do Suécia-Portugal, que acabou por qualificar a seleção portuguesa para o Mundial2014, no Brasil.
A Pepsi, que tem Lionel Messi como um dos seus rostos publicitários desde 2010, tomou partido da pior maneira, na página no facebook da sua filial sueca, com a frase "Vamos passar por cima de Portugal" e várias imagens de um boneco voodoo equipado com as cores das 'quinas' e o número sete de Cristiano Ronaldo, que em 2008 foi imagem de uma campanha mundial da rival de Atlanta, Geórgia.
A filial portuguesa ainda apresentou um pedido de desculpas, mas o mal estava feito: os 'marketeers' da Pepsi sueca fizeram mal as contas e não previram o vendaval de reações negativas que imediatamente se propagou nas redes sociais; não perceberam que a luta entre duas marcas não pode ultrapassar os limites da ofensa a um povo ou a um ídolo mundial.
Os 'posts' de quem não hesitou em garantir que nunca mais beberia Pepsi multiplicaram-se, alguns acompanhados por imagens que ridicularizam a marca, e ao fim da tarde de hoje a página "Nunca mais vou beber Pepsi", entretanto criada no facebook em resposta à campanha voodoo, já tinha ultrapassado os 55.000 gostos em cerca de 24 horas.
A página "Nunca mais vou tomar Coca-Cola", hoje criada, tinha 23 gostos às 18:00 e a "Nunca mais vou tomar Coca-Cola #" somou 76 desde 17 de setembro. No entanto, nenhuma destas páginas é apresentada como sendo em defesa da Pepsi.
No seu site oficial, a Pepsico gaba-se de utilizar "práticas de publicidade responsáveis", mas a da filial sueca foi tudo menos isso: falhou na avaliação do poder das redes sociais e da globalização mediática; deu um tiro que saiu com estrondo pela culatra; causou danos à imagem da multinacional difíceis de reparar em curto prazo e muitos, muitos milhões de receitas a menos nos próximos meses.
É que Cristiano Ronaldo é um dos desportistas mais idolatrados em todo o Mundo, não se limita a ser um herói para os portugueses, e certamente que a Pepsico não conseguirá repetir os mais de 65.000 milhões de dólares (quase 48.400 milhões de euros) em receitas líquidas que obteve em 2012 se, de entre os amantes do futebol, passar a contar apenas com os adeptos de Messi.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

"Eu estou aqui", gritou o extra-terrestre

Foto FPF/Francisco Paraíso
Foto: FPF/Francisco Paraíso
Quando fez o 2-2 no Suécia-Portugal, Cristiano Ronaldo gritou duas vezes "Eu estou aqui!" - uma para as bancadas do Friends Arena, em Solna, outra para os companheiros da seleção portuguesa, que estava quase a carimbar o passaporte para o Mundial2014, no Brasil.
Ronaldo acabava de bater Andreas Isaksson pela segunda vez e deixava a Suécia com a obrigação de marcar mais dois golos para sonhar com a viagem para o país do samba e do Cruzeiro do Sul. Portugal estava quase no Mundial e devia-o essencialmente ao jogador do Real Madrid. Ou antes, a 12 'operários' e a uma superestrela com residência em Marte.
O primeiro "Eu estou aqui!", dirigido para as bancadas, pode ser entendido como um grito a reclamar o estatuto de melhor jogador do Mundo, num dia em que foi noticiado que a FIFA e a France Football protelaram a data-limite para a entrega dos votos para o troféu Bola de Ouro por mais duas semanas, até 29 de novembro.
O segundo, dito depois de uma rotação do corpo em direção à restante equipa, foi claramente uma chamada para os companheiros , como que a dizer-lhes: "Podem contar comigo, eu resolvo!"
E se resolveu! Hoje, aos 28 anos e quatro dias depois de ter feito o 1-0 de Lisboa, Cristiano Ronaldo realizou provavelmente a sua melhor exibição de sempre com a camisola das 'quinas': marcou três golos, aos 50, 77 e 79 minutos, e só alguma falta de sorte e o talento de Isaksson o impediram de assinar outros cinco, aos 36, 43, 48, 87 e 90+2.
O que se via no relvado do Friends Arena era uma equipa quase sempre solidária e bem posicionada, exceto nos 15 minutos seguintes a Ronaldo fazer o 0-1, e a procurar os lançamentos para o 'marciano' partir em cacos a organização defensiva escandinava.
Do outro lado, Zlatan Ibrahimovic praticamente só esteve em jogo em duas bolas paradas, aos 68 e 72 minutos, quando bateu Rui Patrício por duas vezes, a primeira de cabeça após um canto e a segunda num livre direto em que o guarda-redes português ficou mal na fotografia.
Mas, quando parecia que Portugal estava encostado às cordas, Hugo Almeida lançou novamente Ronaldo nas costas da defesa sueca e a estrela portuguesa fez um segundo golo, novamente com o pé esquerdo, que deixava a Suécia a precisar de marcar mais duas vezes para poder dizer "Ôi Brasil".
As dúvidas ficaram dissipadas dois minutos depois, quando, tal como acontecera no primeiro golo, João Moutinho, 'encontrou' Ronaldo entre a linha defensiva nórdica e Isaksson, oferecendo ao avançado do Real Madrid a oportunidade para fazer o que costuma fazer frente ao guarda-redes, desta vez com o pé direito.
Após um autêntico "combate de chefes", Ronaldo vai ao Mundial, Ibrahimovic não; Portugal vai ao Mundial, a Suécia não. Afinal ficou tudo certo: Ronaldo é muito melhor jogador do que Ibrahimovic e Portugal tem uma equipa substancialmente mais forte do que a Suécia.
Cristiano Ronaldo levou para casa mais uma bola de 'hat-trick' e igualou Pauleta como o melhor marcador da história da seleção portuguesa, com 47 golos. Na lista dos portugueses com mais jogos pela equipa das 'quinas' está agora a apenas um encontro de Fernando Couto, o segundo da tabela, e a 18 do líder Luís Figo.
Portugal vai ao Campeonato do Mundo pela sexta vez, quarta consecutiva, e continua sem falhar um Mundial ou Europeu desde o ano 2000. No regresso do Brasil é, no entanto, tempo de começar a pensar na renovação da seleção portuguesa, com a tranquilidade resultante de se saber que Portugal tem neste momento uma das melhores equipas europeias de Sub-21, sem contar com Bruma e William Carvalho, que já estiveram em Solna.
Até lá é esperar que Ronaldo esteja neste momento de forma quando a bola começar a rolar no Brasil.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Um Messi três meses lesionado pode ganhar a Bola de Ouro?

Foto: uefa.org
Para fazer "lobby" pelo compatriota argentino, ou para marcar uma posição de distanciamento relativamente ao Real Madrid, clube do qual foi diretor desportivo entre 1997 e 2005 e diretor-geral entre 2009 e 2011, Jorge Valdano deitou por terra a fama de ser 'bom com as palavras', ao defender o indefensável.
"O melhor do Mundo é Messi, o segundo melhor é Messi lesionado", disse na quinta-feira o antigo avançado da seleção alvi-celeste à rádio RAC 1, contribuindo ainda mais para a polémica em torno da atribuição da Bola de Ouro, cujo prazo para votação terminava no dia seguinte.
Quando se fala em premiar o melhor jogador do Mundo, parece-me que há três coisas que são muito claras: em primeiro lugar, por muito que outros jogadores se tenham destacado durante o ano civil, o prémio só pode ir para Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi, tal a diferença entre os dois e os restantes; depois, por serem tão diferentes, é praticamente impossível dizer qual dos dois é melhor, podemos apenas gostar mais do estilo de um ou do outro; finalmente, dizer que Messi lesionado é o "segundo melhor" jogador do Mundo é, no mínimo, aniquilar o prestígio que ainda tem o prémio da FIFA e da France Football, ganho pelo argentino nos últimos quatro anos.
Não sei se o desempenho na primeira metade do ano civil vai chegar a Messi para levantar o quinto troféu consecutivo, uma vez que desde agosto tem-se visto pouco do jogador do FC Barcelona, devido a sucessivas lesões. E, ao contrário do que diz Valdano, um Messi lesionado fica muito longe de um potencial vencedor da Bola de Ouro.
Também não sei se uma estrondosa segunda metade do ano civil vai chegar a Ronaldo para repetir o triunfo de 2008, porque nos primeiros seis meses não esteve exatamente ao mesmo nível e porque o Real Madrid não conquistou qualquer troféu em 2012 - coisa que devia ser importante para a eleição do melhor treinador do Mundo, mas não do melhor jogador... Aliás, a FIFA diz que o critério para a votação deve centrar-se no "desempenho desportivo e no comportamento dentro e fora do relvado" entre 1 de janeiro e a data da votação, nunca fala na conquista de títulos.
A época de sonho do Bayern de Munique lançou na corrida o nome de Franck Ribéry. Mas será que a candidatura do francês teria tantos defensores se Messi não estivesse lesionado? Realmente, o francês ganhou tudo o que havia para ganhar a nível de clubes, mas isso não devia contar e, se contasse, por que não votar em Arjen Robben, o homem do Bayern que decidiu nos grandes momentos?
Além do mais, Ribéry joga numa posição muito semelhante à de Cristiano Ronaldo e, tendo em conta a influência de cada um na equipa ou os respetivos números, o francês não tem qualquer hipótese na comparação. Ou, antes, não teria, não fossem tão insondáveis os desígnios dos 510 votantes: o selecionador nacional, o capitão da seleção e um jornalista de cada um dos 170 países filiados na FIFA.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ronaldo encontra meio metro de liberdade para decidir

Foto: abola.pt
Há os bons jogadores e, depois, há os fora de série. Há os Alves, os Pepes, os Coentrões, os Moutinhos e os Meireles, mas a glória acaba quase sempre por pertencer aos Ronaldos. Os três defesas e os dois médios foram, provavelmente, os cinco melhores jogadores da seleção portuguesa na vitória de hoje por 1-0 sobre a Suécia, no Estádio da Luz, mas quem decidiu foi Cristiano Ronaldo.
A 'estrela' do Real Madrid esteve agrilhoado pela defesa sueca durante a maior parte tempo do jogo. Lutou e procurou os espaços de forma incansável, mas raramente dispôs de um palmo de liberdade. Aliás, tal como aconteceu com o sueco Zlatan Ibrahimovic, junto à área portuguesa.
Por isso, João Moutinho e Raul Meireles tiveram de fazer valer os seus galões no meio-campo, escudados pelos imperiais Pepe e Bruno Alves e auxiliados pelas 'temerárias' subidas de Fábio Coentrão pela esquerda. Foi isso que, na segunda parte, após uns primeiros 45 minutos repartidos, encostou a seleção sueca à sua grande área e permitiu a criação de uma sucessão de jogadas de perigo, embora muitas vezes condenadas ao insucesso pela opção pelos cruzamentos por alto.
Até que, aos 83 minutos, Cristiano Ronaldo mostrou de que massa são feitos os fora de série: percebeu mais cedo do que Martin Olsson onde ia cair o cruzamento de Miguel Veloso e mergulhou à frente do defesa sueco para bater Andreas Isaksson, com um remate de cabeça a meio metro do relvado. À atenção de Joseph Blatter, que, certamente, vai ver todos os jogos do 'play-off' europeu de qualificação para o Mundial2014.
Três minutos depois, Ronaldo voltou a deixar o esforçado Olsson mal na fotografia: a cruzamento de Hugo Almeida, novamente da esquerda, saltou um palmo mais alto do que o lateral sueco e acertou em cheio na barra, falhando por centímetros um 2-0 que quase garantia a presença no Brasil.
A Suécia foi mais perigosa na primeira parte, mas no segundo tempo o jogo foi de sentido único e Ibrahimovic mais não conseguiu do que ver Pepe e Bruno Alves, ajudados por Miguel Veloso, irem cortando todos os lançamentos compridos para o meio-campo português, colocando depois a bola nos homens mais habilitados a fazerem a construção do jogo.
A vitória por 1-0 é um bom resultado numa eliminatória deste tipo. Não se pode dizer que a seleção portuguesa está a um passo do Brasil, mas é aceitável que se diga que, neste momento, 'sobrevoa' as Canárias ou Cabo Verde. Falta, porém, atravessar o Atlântico, onde por vezes há alguma turbulência.
Na terça-feira, no Friends Arena, em Solna, a Suécia vai ser uma equipa diferente, muito mais pressionante e próxima de Ibrahimovic. Então, mais do que nunca, a seleção portuguesa vai ter que ser coesa e solidária, para deter a previsível avalanche atacante nórdica e, de imediato, procurar desequilíbrios na transições ofensivas. Aí, sim, é provável que Ronaldo tenha mais espaço e possa jogar como mais gosta.
Portugal mostrou, mais uma vez, que é melhor equipa quando enfrenta desafios de alto grau de dificuldade e o 1-0, se não é um resultado ótimo, é uma vantagem considerável, porque - é bom não esquecer! - um golo português em Solna obriga os suecos a baterem Rui Patrício por três vezes.

As bofetadas de luva branca não se anunciam

António Félix da Costa quer competir toda a temporada de 2013 do FR3.5 para assim poder lutar pelo título
Foto: autoviva.sapo.pt

Uma bofetada de luva branca é uma resposta subtil a uma ofensa. O anúncio de uma bofetada de luva branca é tudo menos subtil e comporta uma dose considerável de riscos - é coisa que uma pessoa avisada não faz.
Sem qualquer conselho, ou mal aconselhado, o piloto português António Félix da Costa caiu na tentação de prometer "uma chapada de luva branca" à mais poderosa estrutura da Fórmula 1 atual, com a qual tem contrato, através da Red Bull Junior Team.
O piloto de Cascais vê uma sua segunda vitória consecutiva no Grande Prémio de Macau de Fórmula 3, no domingo, como uma resposta à Red Bull por ter optado pelo russo Daniil Kvyat, e não por si, para substituir Daniel Ricciardo na Toro Rosso, a sua equipa satélite no Mundial de Fórmula 1. Mas a resposta é qualificada, quase de forma fanfarrona, como "uma chapada de luva branca".
É claro que o português tinha legítimas esperanças para ser o escolhido - nos últimos dois anos fez bons testes para jovens pilotos com a Red Bull e em 2013 foi várias vezes piloto de reserva da equipa de Sebastian Vettel e fez muito trabalho no simulador da escuderia -, mas a decisão pertencia a Helmut Marko e seus pares, que publicamente nunca se comprometeram.
Quando foi anunciada a escolha de Kvyat, de 19 anos, Félix da Costa, de 22, teve uma boa reação: mostrou o seu desalento, mas prometeu continuar a trabalhar e desejou boa sorte ao russo, campeão de GP3 em 2013, ano que não correu bem ao português, ao ser apenas terceiro na Fórmula Renault 3.5 Series, campeonato para o qual partia como favorito.
De então para cá, o único dado novo conhecido foi a explicação de Helmut Marko para a escolha de Kvyat: "Daniil já mostrou que consegue lidar com a pressão, algo que António não conseguiu fazer. E se ele já vacila nas categorias de formação, como seria na Fórmula 1?", disse o patrão da Red Bull Junior Team ao site alemão Auto Motor und Sport.
Em Macau, Félix da Costa reconheceu que, há dois anos, quando não tinha dinheiro para correr em GP3, foram a Red Bull Junior Team e Helmut Marko, que lhe permitiram prosseguir uma carreira internacional a alto nível, mas agora diz que não percebe como é que "não dá o último passo para a Fórmula 1 e continua na família".
A intenção de dar "uma chapada de luva branca" ao patrão mostra imaturidade e pode ajudar a explicar a decisão da Red Bull em favor de Kvyat. A continuação na família pode, por seu lado, ser um tema que Helmut Marko queira abordar com ele depois do Grande Prémio de Macau... onde basta Félix da Costa terminar em segundo para não haver a anunciada bofetada.